História da Atlântida – parte IV
A Atlântida no mundo - ano 1616 dFA
Do ano 1500 a 2500 dFA (depois da Fundação de Atlântida)
A partir de 1513 dFA, o Império Acadiano, depois de dois séculos de decadência econômica e agitações políticas, foi dilacerado por uma violenta guerra civil entre Hórus e Seth, pretendentes ao trono de Mênfis. A oportunidade foi bem aproveitada pelos senzares e tlavatlis, que se aliaram para invadir e anexar os territórios acadianos ocidentais.
Com apoio de Agartha, Hórus acabou vitorioso, mas perdeu para sempre a maior parte de seu império. Suas possessões em Amerríqua foram anexadas aos domínios tlavatlis e a ilha de Ruta foi dividida entre tlavatlis e senzares. A cidade de Atlântis, junto com as regiões circunvizinhas, coube aos senzares, que em 1538 nela fundaram seu novo governo. As tribos lemurianas e os fomoris se revoltaram, recuperando suas liberdades tradicionais.
A longa guerra, porém, exauriu os combatentes, desorganizou o comércio mundial e ocasionou uma profunda regressão da cultura em quase todo o planeta. Nos anos 1600, os quatro grandes impérios – Senzar, Tlavatli, Acadiano e o de Agartha – haviam mergulhado no caos feudal. A autoridade dos seus soberanos supremos pouco se estendia além das capitais; os chefes locais lhes prestavam apenas uma vassalagem simbólica. Inúmeros tesouros intelectuais foram perdidos, à medida que antigos centros culturais se esvaziavam ou os guardiões da cultura eram expulsos pela barbárie.
A partir de 1616, os chefes da ilha de Ruta e Daitya recusaram-se a prestar homenagens, mesmo formais, aos seus antigos suseranos em Tiahuanaco e Antília. Liderados pelo primeiro Atlas, título então dado ao rei da cidade de Atlântis, proclamaram sua independência.
Daitya, liderada por uma dinastia originada da mestiçagem local de acadianos, fomoris e lemurianos, preferiu uma completa independência. Os dez reis da ilha de Ruta formaram uma confederação presidida pelo Atlas. Dos dez reinos, Atlântis e Diaprepes eram governados por dinastias de origem senzar; Mestor e Eumelos, por dinastias fomoris; Autóctonos e Mneseas, por dinastias hiperbóreas; e os demais – Elasippos, Amferes, Evaimon e Azaés (incluindo a ilha de Gopa) – por tlavatlis.
Para evitar, porém, que a heterogeneidade cultural da confederação e as diversificadas origens étnicas de seus povos e governantes em impérios outrora inimigos se transformasse em motivos para discórdias e guerras civis, ordenou-se a destruição dos registros históricos e sua substituição por uma nova história oficial. Surgiu então a lenda da fundação de Atlântis por dez irmãos, filhos do deus Posêidon e sua esposa Clito, cujo início já vimos na parte I. Eis aqui sua continuação:
“Aí, Posêidon engendrou e criou cinco gerações de filhos homens, e gêmeos. Dividiu toda a ilha Atlântida em dez partes. Ao primogênito dos gêmeos mais velhos, destinou a morada de sua mãe e o lote de terra circundante, que era o mais vasto e o melhor. Estabeleceu-o na qualidade de rei, acima de todos os outros; fez destes, príncipes vassalos e a cada um deu autoridade sobre um grande número de homens e sobre vasto território.
A todos impôs nomes: o mais velho, o rei, recebeu o nome que serviu para designar toda essa ilha e todo o mar, que se chama Atlântico, porque o nome do primeiro rei que então reinou foi Atlas. Seu irmão gêmeo, que nasceu depois dele, obteve na divisão a extremidade da ilha, do lado das Colunas de Hércules, defronte à região chamada Gadírica, por causa desse lugar: ele chamava-se em grego Eumelos, e na língua do país, Gadiros. E o nome que se lhe atribuiu tornou-se aquele do país.
Em seguida, daqueles que vieram na segunda geração, chamou a um Amferes, ao outro Evaimon. Pela terceira geração, Mneseas foi o nome do primogênito, Autóctonos o do segundo. Dos da quarta geração, chamou o primeiro Elasippos e o segundo Mestor. Na quinta, o que nasceu primeiro recebeu o nome de Azaés e o que veio em seguida, o nome de Diaprepes.”
Enquanto isso, os helcarianos e mughals começavam gradualmente a reconstruir sua civilização abalada pela invasão agarthiana. Dois santuários – Xanadu, nas montanhas geladas do norte e Kivira, nas encostas do monte Shasta – foram criados para dividir o papel antes desempenhado por Shamballa, agora residência do debilitado imperador de Agartha, obcecado com seu projeto de construir uma capital à altura dos sonhos megalomaníacos de seus predecessores.
Esta foi a chamada idade das Trevas, da qual o mundo começou a emergir por volta de 1800, quando novas técnicas psíquicas, mágicas e científicas começaram a ser descobertas (ou redescobertas) pelos sacerdotes e mercadores atlantes. Por volta de 2000, a manipulação genética já lhes permitia criar novas espécies de vegetais, animais e seres racionais e manipular a matéria bruta numa escala jamais vista.
A manipulação do vril permitiu criar gigantescas galeras sem remadores e estranhas máquinas voadoras. Novas culturas e gigantescas obras de irrigação redobraram a produtividade agrícola de Atlântis, que por volta de 2100 já era tão grande e próspera quanto nos melhores dias do Império Acadiano – e continuava crescendo. A magia e o psiquismo tornaram-se populares e hoje a maioria dos atlantes conhece ao menos um pouco desses assuntos e é capaz de realizar pelo menos alguns pequenos feitos mágicos.
Em 2120, o 34º Atlas iniciou a expansão imperial, conquistando Daitya e Gades. O 35º iniciou a conquista do Império Tlavatli e o 37º a completou, depois de uma longa luta. O 39º conquistou metade do que restava do Império Acadiano. Em 2370, o 45º Atlas, aliado a Agartha, tomou Babel. Depois de um longo intervalo de relativa quietude, o 55º e o 56º submeteram os senzares e conquistaram parte da Etiópia e quase todos os domínios hiperbóreos, com exceção da própria Thule. Por volta de 2450, o Império Atlante já alcançava aproximadamente as suas fronteiras atuais.
Ao mesmo tempo, o Império de Agartha era reunificado e recuperava o antigo poderio e disciplina. Entre 2320 e 2340, o Imperador Surya, o terrível, conseguiu disciplinar seus vassalos e criar um exército tão eficiente quanto o outrora reunido por seu remoto antecessor Rudra e ainda maior. De 2340 a 2360, seu sucessor Rama usou esse exército para submeter mughals e lemurianos e, em 2365, aliou-se aos atlantes para partilhar o que restava do Império Acadiano e a região lemuriana de Bharata. Apenas os helcarianos nômades e bárbaros do extremo norte, um pequeno reduto mughal em torno de Xanadu e os lemurianos do extremo sul de Bharata puderam resistir à conquista.
Os sacerdotes de Agartha jamais conseguiram competir com os atlantes em alta magia. Sua cultura conformista e disciplinada, embora propícia ao desenvolvimento da telepatia e da clarividência, inibe a geração e o domínio eficaz do vril. Além disso, consideram tanto a magia e o psiquismo, quanto a física, a química e a medicina "ciências ocultas", cujos segredos são ciosamente guardados dos não-sacerdotes, principalmente dos servos. A restrição do ensino das "ciências ocultas" à casta sacerdotal inibe a criatividade e o surgimento de grandes talentos. Entretanto, entre 2300 e 2500, os sacerdotes aprenderam a compensar essa deficiência aprendendo a utilizar a mecânica, a química, a medicina, a eletricidade e a força do vapor para criar armas que os leigos podem manipular mesmo sem compreender a fundo, fazendo do Império de Agartha um rival à altura de Atlântis, ao menos em termos militares.